Pentelho No Empadão

quarta-feira, março 22, 2006

O post deseparecido (pt2)

Uma análise sobre a Evolução das "Novas Tecnologias" nas Comunicações e Relações Sociais e Inter-Pessoais da Civilização Contemporânea (ou talvez não) - continuação

Saltando um pouco mais adiante, chegamos ao inicio da revolução industrial e às novas técnicas disponíveis para o aperfeiçoamento da comunicação. O comboio substitui lentamente o cavalo nas deslocações de média-longa distância e substitui o pombo-correio nas curtas distâncias, proporcionando finalmente o merecido repouso aos animais. Dadas as caracteristicas do tipo de transporte, a correpondência aumenta de volume, sendo possível escrever hoje para entregar amanhã ou depois, dependendo da cidade de destino. Estranhamente o panorama piorou desde então, visto que quando escrevemos uma carta para o vizinho do lado ela chega na semana seguinte. Paralelamente, e com a descoberta da electricidade, desenvolveram-se as comunicações por cabo, graças ao telégrafo e ao código morse, que foram esticados entre as mais importantes cidades, por entre montes e vales, originando, igualmente, uma maior povoação das zonas rurais (visto que os cabos serviam não só para comunicar mas também como estendal para a roupa), dando inicio ao circulo vicioso da comunicação em massa: quanto melhor for a comunicação com um determinado local, mais gente lá se instala, provocando uma actualização e aumento dos meios de comunicação para essa zona e blá blá blá. O telefone é a próxima invenção a facilitar as comunicações, sendo possível falar para todo o lado sem sair de casa. O rádio assume-se também como um bom meio de informação, retirando alguma importância ao jornal (meio preferido na época), que passou a servir para forrar a gaiola do pássaro, embrulhar o almoço ou, em casos mais criticos, limpar o rabiosque depois de nós sabemos o quê.
Trocas e baldrocas, e para acelerar a viagem no tempo, ignoramos a televisão que dá muito que falar e chegamos aos primórdios da internet. Desenvolvem-se as salas de chuto, perdão, de chat, o e-mail começa a fazer sentido, as velocidades são baixas mas ninguém se importa e tudo corre sobre rodas (ou fios, dependendo do país). À medida que as grandes empresas investem nesta nova forma de comunicação em tempo real, também o publico é levado a prestar mais atenção e a adaptar-se, apaixonando-se mesmo, às virtudes da disponibilidade de informação e consequente facilidade em encontrá-la e obtê-la.
Apesar de tudo, se ainda há quem seja cauteloso na utilização da internet, outros há que, quais Vasco da Gama, partem à descoberta do infinito, arriscando-se a nunca mais voltar. Uns não voltam mesmo, seja porque foram apanhados numa qualquer rede de tráfico de carne humana, seja porque pura e simplesmente perderam o norte na net. Aos que regressam, podem verificar-se duas alterações: nuns acentuam-se as capacidades comunicativas inter-pessoais (expressão cara para definir os gajos que passam a vida nas salas de conversação), muitas vezes à custa de capacidades mais importantes; noutros é visivel o isolamento anti-social provocado pelo receio de possíveis traumas.
Há também que referir que a facilidade de comunicação actual é motor não só para o desenvolvimento cultural de uma qualquer civilização, mas também para a perda de identidade social dos individuos que a constituem. As ideias e os ideais mais fortes tendem a reunir um cada vez maior numero de adeptos, muitas vezes renegando a capacidade (ou a vontade) de expressar opiniões individualistas e talvez mais sensatas. A facilidade de obtenção de produtos on-line origina um maior isolamento, não só porque se reduzem as interacções reais com os detentores desse produto, mas também porque cobiçam-se mais os produtos das sociedades ditas "mais evoluídas" preterindo a própria produção nacional.
Bem ou mal, a internet veio para ficar. Cada vez mais estaremos ligados ao mundo e desligados de nós, principalmente os que se viciarem na dita. Cada vez mais surgirão novas capacidades e facilidades de comunicação, novos meios de expressar opiniões e ideias, novos meios de despoletar confrontos e batalhas.
Cada vez mais viveremos numa mescla civilizacional, em que se torna dificil distinguir e aplicar conceitos importantes. Cada vez mais se torna necessário adquirir previamente uma capacidade instintiva para resistir às facilidades da comunicação em massa.
Cada vez mais preciso de pensar primeiro antes de escrever, para evitar perder-me pelo meio do raciocínio...
Mas pelo menos fiquei a saber que existe um limite para o título dos posts nesta coisa!