Pentelho No Empadão

terça-feira, maio 01, 2007

Desabafo linguístico

Era para ser tradutor. O trajecto do secundário apontava para essa ocupação. Não era mauzinho de todo no inglês (média de 17), no português até me desenrascava bem (no que toca a compreensão de textos), lia algumas coisinhas (coisa que hoje já não acontece tanto), até tinha algum jeitinho para a escrita (coisa que hoje começa a falhar) e não fosse a minha preguiça nas aulas de Alemão e até tinha seguido em frente. Mas surgiu a possibilidade de ir para informática (e ser pago para isso) e lá fui eu partir a carola computas. Não estou arrependido. Se poderia saber mais do que sei hoje, também digo que poderia saber muito menos, se não tivesse iniciativa.
Mas uma das coisas que mais me irrita hoje em dia na televisão são as traduções e respectivas legendagens que são feitas. Leio (e ouço no inglês original) coisas tão absurdas e tão óbvias que chego a ter pena de não ter seguido outro caminho. Desconheço a realidade da profissão e do mercado, mas parece-me que anda por aí muita gente (à semelhança de outras profissões) que o faz apenas porque não tem mesmo mais nada para fazer ou porque não lhe apetece fazer outra coisa. E, como tal, fá-lo com sacrificio (ou por frete). E, como se sabe, aquilo que não é feito com gosto, não é bem feito. Se, por um lado, a remuneração oferecida não é das melhores, por outro também falta aquela noção de brio e eficiência no trabalho que é feito. E como as "novas tecnologias" (termo caro para designar tudo o que não está em "formato papel") dão uma ajuda muito grande, o que era bom deixa de fazer falta. Mesmo que sejam fontes de informação mais fiáveis do que a internet (sim, é verdade, há fontes de informação mais fiáveis que a internet). Refiro-me em particular aos "velhinhos" dicionários bilingues. Sempre que tinha (e tenho) uma duvida quanto ao significado de um termo em inglês, vou ao dicionário (seja ele bilingue ou nativo) e daí tento tirar a interpretação correcta relativamente ao contexto. Mas parece que os anormais que hoje em dia fazem traduções (e refiro-me aos maus tradutores, obviamente, porque felizmente conheço tradutores bons, eficientes e cuidadosos), fazem-no "em cima do joelho", com ajuda dos tradutores online e sem a mínima vontade de aprender novos termos e/ou tentar transmitir da melhor maneira possível o que está a ser dito. Para além de não saberem traduzir números (recordo-me de um filme em que faltavam "five minutes" para a bomba explodir e, de acordo com a tradução, faltavam "2 minutos", e continuavam a faltar 2 minutos de cada vez que se fazia referência ao tempo restante), não sabem rever aquilo que escrevem (deixam passar os termos originais no meio da legendagem que eles próprios escreveram) e não se preocupam com a integridade do texto que estão a escrever (quando em cada 10 palavras de uma legenda, 5 são na língua original). Se isto é qualidade, vou ali tirar um curso e já venho... Naturalmente que isto não abona em nada o nome que aparece (ainda?!) no fim do programa, seja ele do tradutor seja da empresa, não abona quem quer aprender alguma coisa com as legendas (sim, comecei a aprender inglês assim, a ouvir o inglês, a ler as legendas e a fazer a ligação) e acho que não abona minimamente o canal que está a transmitir o programa (e já nem vou falar nos dvd's, obviamente).
Agora que já desabafei, vou ali e já volto...

3 Reclamações:

  • quando tive tradução...sempre aprendi que as melhores makinas tradutoras eram os dicionários, ao contrário dos computadores que só mandam calinadas!

    o fracasso actual da tradução explica-se não pela falta de tradutores mas pela grande aposta nessas novas tecnologias que não sabem traduzir!

    ok...digamos que os tradutores humanos também têm akelas falhas de falta de paciência ou de brio...

    isto tudo e eu so keria dizer q ate curtia bue tradução, e se tiver oportunidade, ainda tiro uma graduação nessa área, para tirar lugar aos tradutores impostores que traduzem "son of a bitch" por "seu pulha!!"

    Reclamado por Blogger AR, às 01 maio, 2007 18:10  

  • Creio quew a tradução é uma profissão que se deve fazer com dedicação e profissionalismo e não como situação de recurso. Talvez por essas e outras é que alguns livros são tão mal traduzidos...
    Gostei do espaço que espiei via Yashmeen!

    Reclamado por Blogger Capitão-Mor, às 01 maio, 2007 19:53  

  • AR: Sim, os computadores não têm sensibilidade para interpretar o contexto semântico ds frases, coisa que nós (humanos) temos...

    Capitão-Mor: A tradução é como a medicina ou o ensino: ou se gosta do que se faz, ou então não vale a pena. Obrigado pela visita e volte sempre!

    Reclamado por Blogger PDA, às 01 maio, 2007 21:46  

Fazer Uma Reclamação...

<< Restart