Viagens
Quando viajo para longe ou para fazer alguma coisa mais emocional, costumo sentir que o regresso é sempre mais rápido, que a viagem demora menos tempo, que o caminho é mais curto. Não encontro explicação para este facto, mas sei que não sou o unico a sentir isso.
A morte será talvez a derradeira viagem para todos nós. Será uma nova etapa, uma nova fase, uma transição para outro local, para outro Aqui e Agora. Para alguns será um destino, para outros será o principio de uma nova vida, física ou não.
Participar num funeral (ou, simplesmente, marcar presença num velório) não é uma experiência agradável para ninguém. Até ontem tinha participado apenas num funeral, do meu falecido tio - na altura era relativamente novo e lutei ao máximo para não ser invadido pela dor e tristeza que atacou outros membros da familia. Não que não tivesse sentido essa perda, mas eram sentimentos demasiado fortes e assustadores para o meu estado de espirito naquela época. Mas marcar presença no velório de uma pessoa com quem nunca se contactou, com quem não havia ligação, fisica ou sentimental (para além de um amontoado de 0's e 1's) é uma sensação muito estranha. Tão ou mais estranha como conhecer pela primeira vez alguém no mesmo dia que será o ultimo que o veremos. Pessoas e relações desconhecidas, sentimentos não partilhados, memórias inexistentes, colocam-nos numa posição frágil e sensível. Se quando temos alguma história com a pessoa, sua familia e/ou amigos, todas e quaisquer palavras se tornam ridiculas, tal é a dor e o sentimento de cada um, mais ridiculas ainda se tornam essas palavras quando o nosso anonimato é a nossa razão de estar. Não conhecia o falecido pessoalmente e pouco (para não dizer quase nada) conversei com ele através da auto-estrada da informação. Mas quis conhecê-lo, ficar com uma imagem do seu rosto e apresentar as minhas condolências à familia. Não sei se fiz bem ou mal, se foi uma atitude correcta ou não, mas foi a que tive. Foi sentida e agida como tal, com o devido respeito e consideração por todos. Os meus cumprimentos à familia e aos seus amigos.
A morte será talvez a derradeira viagem para todos nós. Será uma nova etapa, uma nova fase, uma transição para outro local, para outro Aqui e Agora. Para alguns será um destino, para outros será o principio de uma nova vida, física ou não.
Participar num funeral (ou, simplesmente, marcar presença num velório) não é uma experiência agradável para ninguém. Até ontem tinha participado apenas num funeral, do meu falecido tio - na altura era relativamente novo e lutei ao máximo para não ser invadido pela dor e tristeza que atacou outros membros da familia. Não que não tivesse sentido essa perda, mas eram sentimentos demasiado fortes e assustadores para o meu estado de espirito naquela época. Mas marcar presença no velório de uma pessoa com quem nunca se contactou, com quem não havia ligação, fisica ou sentimental (para além de um amontoado de 0's e 1's) é uma sensação muito estranha. Tão ou mais estranha como conhecer pela primeira vez alguém no mesmo dia que será o ultimo que o veremos. Pessoas e relações desconhecidas, sentimentos não partilhados, memórias inexistentes, colocam-nos numa posição frágil e sensível. Se quando temos alguma história com a pessoa, sua familia e/ou amigos, todas e quaisquer palavras se tornam ridiculas, tal é a dor e o sentimento de cada um, mais ridiculas ainda se tornam essas palavras quando o nosso anonimato é a nossa razão de estar. Não conhecia o falecido pessoalmente e pouco (para não dizer quase nada) conversei com ele através da auto-estrada da informação. Mas quis conhecê-lo, ficar com uma imagem do seu rosto e apresentar as minhas condolências à familia. Não sei se fiz bem ou mal, se foi uma atitude correcta ou não, mas foi a que tive. Foi sentida e agida como tal, com o devido respeito e consideração por todos. Os meus cumprimentos à familia e aos seus amigos.


8 Reclamações:
Penso que foi a opção correcta porque foi aquela que sentiste que devias tomar! Seguir o que sentimos, é sempre uma óptima opção! Bj
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Unknown, às 09 maio, 2007 22:02
Este comentário foi removido pelo autor.
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919, às 09 maio, 2007 23:45
Este comentário foi removido pelo autor.
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919, às 09 maio, 2007 23:46
BlackStar: Pois, também vejo assim...
Lélé: E eu não te entendi! Mas confesso que também não me esforcei muito a pensar!
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PDA, às 11 maio, 2007 09:26
... quase me apetece dizer que "Um dia destes marcho eu e depois sempre quero ver?! quem são os companheiros de estrada do virtual que me vêm ver pela primeira e última vez... ".
À séria: gostei muito deste texto sobre a vida e a morte e com um final cheio de lógica. A passagem para o "outro lado" sempre nos despertou curiosidade, exactamente por não termos "notícias de lá". E saber "com que cara vamos iniciar a viagem" é uma descoberta a ter em conta.
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Alberto Oliveira, às 12 maio, 2007 11:15
Legível: Obrigado pelas palavras! E, pela parte que me toca, só preciso de saber onde e a que horas é preciso estar que lá estarei! Mas esperemos que demore muito tempo até que aconteça...
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PDA, às 13 maio, 2007 21:48
os comments tão mórbidos. realmente não existem palavras para a morte
=|
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AR, às 14 maio, 2007 20:28
AR: Talvez também tenha sido por isso que estive a maior parte do tempo calado...
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PDA, às 15 maio, 2007 19:48
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